Possivelmente já ouviu falar da roda das cores. Conhecer
estes conceitos ajuda-nos a entender os efeitos que podemos obter quando
adicionamos as diversas cores numa tela.
Neste artigo abordamos não só os princípios de base mas ainda informações muito práticas simples que tornarão a mistura de pigmentos um prazer.
De fato a maioria dos pintores utilizam um conjunto muito reduzido de cores (entre cerca de 3 a 9 cores), sendo que a mistura faz parte não só da prática mas pode tornar-se um divertimento por si só. Saiba aqui como o fazer.
Num artigo a colocar em breve iremos exemplificar isso apresentando algumas paletes especificas para a pintura de paisagens ou de flores, entre outros.
Cores
Primárias:
O primeiro conceito que queremos apresentar é o de cor primária. São os
“números primos” da cor.
Contudo, com a evolução da investigação sobre a cor,
estabeleceu-se atualmente que as cores primárias ou seja, aquelas que são a
base de todas as outras e que por outro lado não podem ser obtidas a partir da
mistura de quaisquer outras são na verdade o magenta, o amarelo e o azul ciano
(e não os tradicionais vermelho, azul, amarelo).
A partir da mistura destas cores, duas a duas, obtêm-se as secundárias: vermelho, azul-violeta e verde (ver quadro). A mistura de todas as 3 cores primárias produz o preto.
A partir da mistura destas cores, duas a duas, obtêm-se as secundárias: vermelho, azul-violeta e verde (ver quadro). A mistura de todas as 3 cores primárias produz o preto.
Temos assim a base da mistura de cores, começámos com
3 cores, agora temos 7.
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Cores adjacentes |
Cores
opostas:
Trata-se de outro conceito fundamental assim
designadas por se oporem (localizam-se em locais opostos) na roda das cores.
O domínio deste conceito permite-nos saber como usar as cores
opostas para realçar a sua vibração na tela.
O efeito complementar (ou contraste) deve ser ajustado porque os valores de cada cor (ou seja o brilho) são diferentes. Para isso, utilizam-se os rácios (segundo Johannes Itten) indicados na figura em cima.
O efeito complementar (ou contraste) deve ser ajustado porque os valores de cada cor (ou seja o brilho) são diferentes. Para isso, utilizam-se os rácios (segundo Johannes Itten) indicados na figura em cima.
Assim por exemplo, face ao valor maior da cor laranja
em relação ao azul, o maior contraste entre azul e laranja obtém-se usando um
rácio de 5 (azul) para 3 (laranja), ao passo que o verde e o vermelho se equilibram
numa proporção de 1 para 1.
Dicas:
- Para obter efeitos de Profundidade, sombra e luz, utilizamos o esquema adjacente, ou seja, utilizando de forma combinada cores adjacentes (vermelho, laranja, amarelo).
- Com o objectivo de obter contraste, drama, emoções fortes: usamos as cores opostas para obter um contraste máximo, reduzindo a intensidade, no sentido de obter um efeito mais harmonioso e menos violento, adicionando branco ou preto.
Mistura óptica de cores:
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Mistura óptica de cores |
Quando várias cores são dispostas de forma adjacente ocorre
a mistura “óptica” das mesmas, ou seja, a proximidade leva a que as cores sejam
percecionadas de forma diferente do que seriam se observássemos cada cor
isoladamente, como vemos na figura.
Se observarmos uma fotografia impressa num jornal com
uma lupa, podemos ver que são constituídas por pequenos pontos de cores sólidas.
A mistura de cores neste caso não é realizada ao nível da junção física dos
pigmentos mas antes ao nível da nossa perceção.
Este tipo de mistura foi utilizado frequentemente
pelos impressionistas, em particular no estilo designado “pontilhismo”.
Nesta paisagem de Georges Seurat temos um bom exemplo. Vista de longe,
vemos um relvado verde.
Observada de perto, vemos sobretudo pontos azuis e
pontos amarelos:
Mistura de pigmentos:
A luz branca é produzida pela mistura de todas as
cores do espectro. Uma cor, por exemplo a cor amarela, é percebida pelo nosso
cérebro porque absorve todo o espectro exceto a cor amarela. Trata-se de uma
mistura “subtrativa” e é usada para produzir pigmentos.
Um exemplo deste tipo de mistura pode ser observado
nos nossos monitores de computador, dado que os programas gráficos transformam
as cores através da mistura subtrativa, tal como na mistura de pigmentos.
Usamos este tipo de mistura (subtrativa) quando
pretendemos criar novos pigmentos, novas cores e tonalidades.
Segue-se uma grelha de cores que
oferece pistas visuais para a mistura homogéna de pigmentos:
Do lado esquerdo temos as cores
dominantes, e por baixo as cores a adicionar (misturar). O cruzamento de ambas
representa a nova cor, pelo que para a obter esta cor final seguimos as linhas verticais
e horizontais a fim de determinar as duas cores que iremos misturar na palete.
Como misturar: coloca-se na
palete cada uma das suas cores separadas. Caso as cores de base forem mais
escuras que as apresentadas na figura, podemos clarear cada cor de base com
branco titanium antes de proceder à mistura final.
Feito isto, adiciona-se pouco a
pouco pequenas quantidades da cor “adicionada” sobre a cor dominante e trabalhamos
a mistura sempre sobre esta ultima, usando para o efeito uma espátula, até
obter a cor desejada.
Saturação e Intensidade da Cor:
Um ultimo conceito importante
para a mistura de cores, neste caso não no sentido de obter novas cores, mas
antes de obter matizes de uma cor, conceito este essencial para reproduzir
aspectos como sombreados, realces ou outros efeitos e para em geral dominar o
tema da saturação das cores na tela como um todo.
Já abordámos o valor da cor, ou seja,
o brilho da cor. Podemos aumentar o brilho (ver “tints” no circulo de cores)
ou aumentar a sombra (“shades”) de uma cor, escurecendo (com preto) ou
clareando (com branco) uma cor pura (i.e., a cor na sua máxima intensidade e
saturação).
No lado direito da mesma figura, assinalado com um ponto, temos as cores puras e o efeito da mistura de preto ou branco, assinalando-se assim que o valor, por exemplo do amarelo é maior que o do verde.
Quando se misturam cores em
geral a sua intensidade reduz-se.
Por esse motivo é aconselhável utilizar-se
cores puras, se pretendemos obter maior
saturação da cor final obtida.
Qual o interesse deste
conceito? Podemos manipular na tela a saturação da cor: aumentar a saturação com
o objetivo de obter efeitos mais quentes (despertando emoções ditas “fortes” ou
“intensas”) ou mais frios (emoções mais contidas, sombrias, ou ainda revelando efeitos
de humidade ou transparência). Para mais detalhe e exemplos ver o post "Pintarcom a alma 2 – desenvolver a emoção”.
Dicas:
- Na escolha das cores, a dimensão dos objetos é um fator relevante a ter em conta, já que uma cor perde o seu impacto, ainda que seja uma cor forte, quando se localiza ao lado de um objecto de maiores dimensões de cor mais suave.
- Também consoante o tipo de fonte de luz, as cores vão variar, sendo que a luz do Sol revela cores mais saturadas do que a luz artificial ou do que a luz da Lua.
- Finalmente, deve tomar em conta o efeito do Contraste simultâneo o qual leva a que determinada cor obtenha diferenças de intensidade e claridade dependendo da cor de fundo. Por exemplo, uma cor fundo escura realça a cor mais clara (tal como o efeito produzido pelos contornos de cor preta), da mesma forma que as cores opostas se realçam mutuamente.
Como misturar tinta a óleo
Neste artigo vimos até ao momento como obter novas
cores a partir de outras duas. Fazemo-lo agregando os pigmentos
antes de aplicar a cor final sobre a tela.
Contudo, na pintura a óleo nem sempre
o objetivo da mistura de cores é a mistura completa para produção de uma
terceira cor, mas antes, um efeito mais próximo da mistura optica. Podemos
fazer isto quer usando cada uma das cores isoladamente, de forma adjacente,
quer agregando as cores de forma heterogénea, por exemplo:
Mistura rápida com uma espátula
para obter diversos matizes das duas cores, excelente para pintar montanhas, casca
de árvores, pequenas rochas.
Misturar diretamente no pincel,
por exemplo, numa ponta coloco uma cor e na outra coloco a segunda. O efeito no
centro é a agregação mais completa, mas a partir desse ponto a mistura reduz-se
em intensidade até cada ponto. Pode ser usada na pintura de flores, mas ainda
para recriar troncos ou pequenas rochas com sombreado “instantaneo”.
Mistura aleatória no pincel,
primeiro encho o pincel de uma cor e de seguida, toco apenas levemente na
segunda cor. Muito util para pintar folhagem, com os seus matizes variegados.
Mistura das cores diretamente
na tela, proporcionada pela técnica wet-on-wet, por exemplo para pintar o Céu.
Nota: as
imagens usadas neste artigo foram obtidas a partir de pesquisa na internet.
Existem inúmeros esquemas disponíveis e mais pistas interessantes para a
obtenção de novas cores.
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